domingo, 12 de junho de 2011


Não sei
quantas almas tenho.
Cada momento mudei
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser só tenho alma
Quem tem alma ,
não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
quem sente não é quem é,
atento ao que sou e vejo,
torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo,
é do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto a minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Porisso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo.
O que passou a esquecer.
Noto à mrgem do qu li
O que julguei que senti.
Releio e digo : Fui eu?
Deus sabe,
porque o escreveu.


Fernando Pessoa na voz de Alberto Caieiro, tomo como minhas palavras e sentimentos...