sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MÃE CRIAÇÃO E CRIATURA



MÃE DO TODOS OCEANOS:
origem de todos os Universos,
grade terror dos perdidos
consolação infinita dos buscadores,
mistério de todos os mistérios,
em cujo Sonho tantas vezes nasci,
tantas vezes parti.
Mãe de todos os desejos,
em cujo Seio fui pedra,
rastejei no lago,
na selva fui fera,
cabra nas montanhas,
até erguer-me das mil formas,
chamando seu Nome nas mil mortes,
penetrando no Caminho sem volta,de volta ao Lar.
Mãe de toda Misericórdia,
refúgio seguro d miséria do existir,
em cujo manto todas as lágrimas secam,
todos os murmúrios cessam,
toda aflição silencia.
Útero de canções e epopéias,
de gemidos sem fim,
dos arrepios da vida,
do Grande Silêncio Gerador.
Mãe da doçura e do perdão,
do sim que fecunda todos os desertos,
da minha infindável travessia,
da terra do Eu Sou.
Todos os números foram lançados,
e a sede não foi saciada,
todos os Oráculos criados,
e a fome não aplacada,
todos os vinhos servidos,
e não curada a ferida.
Das entranhs da noite o meu grito:
Mãe!
Ainda óntém tão inseguro andava,
e agora em seus braços me aninho,
o Universo me abraça.
Afinal eu me rendo, quem se rende afinal?
Quem se rende?
Ao vento do deserto eu me esvazio, 
a taça transbordante do Poeta em minha mão,
me basta.

Torrentes, torrentes e torrentes,
onde me afundo, me debato e me encontro.
Descanso.

Antiga afirmação:
A Existência dorme nos minerais,
sente nos vegetais,
sonha nos animais,
desperta nos seres humanos
e, regozija-se de si mesmo no sábio, no iluminar...